quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Por que o Engenhão não enche?


Construído para o Pan-Americano de 2007 no Rio de janeiro, o estádio olímpico João Havelange (Engenhão) ainda não caiu no gosto do público carioca. Difícil dizer se ainda há tempo hábil para isso. Ano que vem, com a reabertura do Maracanã, o Engenhão perderá o posto de principal palco do futebol do Rio e deve sediar apenas os jogos do Botafogo e eventuais shows.

O Engenhão é um estádio com capacidade para mais de 40 mil pessoas e costuma ficar vazio. Disso estamos cansados de saber: todo dia sai uma matéria sobre isso. Seria apenas desinteresse por parte do público, como alguns pregam? Eu acho que não e tento explicar.

O estádio, que é arrendado pelo Botafogo, tem uma capacidade de público superior a média histórica da torcida botafoguense. Mesmo que 15 mil alvinegros (o que considero um bom público) compareçam ao Engenhão, ele vai continuar com aquele aspecto vazio, as cadeiras azuis ressaltadas. Os gritos da torcida não serão ouvidos com tanta nitidez.

Por outro lado, se 15 mil pessoas comparecem a um jogo em São Januário cuja capacidade de público é bem mais reduzida, embora o número de vascaínos em todo o país supere bastante o de botafoguenses (8,8 milhões de cruzmaltinos contra 2,8 milhões de alvinegros segundo pesquisa da PLURI Consultoria), comentaristas exaltam a grande mobilização da torcida.

Afinal, o copo está meio cheio ou meio vazio?

Outro aspecto importante que nunca é lembrado nas transmissões da TV é o horário escolhido para a realização dos jogos. Já pararam para perceber a grande diferença no público entre um jogo marcado para 16 h de domingo e outro marcado para às 22 h de quarta/21 h de sábado? É um absurdo. Nesse segundo caso, um torcedor que decide assistir a partida do seu time de coração chega muito tarde em casa. Se tiver que trabalhar cedo no dia seguinte então, o cansaço é certo.

Sabendo-se dessas dificuldades, as emissoras investem no pay-per-view dos jogos, sabendo que muitos preferem assistir o jogo no conforto do seu lar do que pegar o transporte público lotado ou horas de engarrafamento.

A violência também é motivo para ficar em casa. Com o entorno do estádio policiado, agora os vândalos marcam suas brigas para outros lugares, mais distantes dos olhos da fiscalização. Só essa semana duas  organizadas cariocas foram proibidas de frequentar os estádios pois alguns de seus integrantes se envolveram em brigas e até em mortes de torcedores.


Outra questão é o preço do ingresso. Ele não costuma ser barato, ainda mais para um torcedor que ganha pouco e deseja ir com a família no jogo. O passeio para dois adultos e duas crianças não sai por menos de R$100,00. Se quiserem assistir a mais jogos, o salário não aguenta até o fim do mês.

O Engenhão é considerado o estádio mais moderno da América Latina. De fato, a beleza impressiona. Pena que o mesmo não possa ser dito em relação ao seu entorno. Ruas estreitas dificultam o tráfego dos carros e até o deslocamento das pessoas.

Se você for de carro e estacionar nas cercanias (com sorte), além de pagar caro, encontrará enorme dificuldade para sair após a partida. Experiência própria, em dias de casa cheia não se chega na zona sul da cidade em menos de duas horas. A alternativa que seria o transporte público também não é das melhores. Empurra-empurra na rampa que dá acesso a estação de trem, vagões velhos e composições que demoram a passar...

A verdade é que o Engenhão foi colocado dentro de um bairro sem que qualquer obra de infraestrutura fosse feita ao seu redor para atender a nova demanda. O resultado é esse...

Desta forma, creio que a culpa dos estádios estarem vazios não é só da torcida que não comparece para apoiar o time (que muitas vezes tem uma atuação pífia). Uma série de questões (algumas das quais retratadas aqui) merecem ser estudadas com mais carinho para trazer de volta o colorido e a alegria das arquibancadas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Apenas mais uma canção

Ele abriu a porta de casa e se surpreendeu com a presença dela ainda no sofá da sala.

Tudo que ele queria era descansar e esquecer aquele momento conturbado que estava vivendo. Queria chegar em casa, por uma roupa confortável um chinelo e apagar. Mas era impossível. Ela tinha voltado.

Tudo bem que eles dividiam o mesmo apartamento até uns dias atrás, antes daquela discussão. "Pensando bem, o apartamento era dela também, mas precisava daquele encontro? Ela não poderia ficar uns dias na casa dos pais ou de alguma amiga?"

Mas ela não parecia estar muito preocupada. Ou pelo menos não demonstrava. Estava concentrada em dedilhar seu violão, tirar um acorde ou outro, enquanto fazia algumas anotações na partitura.

Ele resolveu evitar a presença dela e foi à cozinha preparar algo para comer. Enquanto abria a geladeira, começou a ouvir um barulho. Não parecia um ruído, e sim uma melodia. Conferiu o rádio. Mas ele estava desligado.

Só depois percebeu que o som vinha da sala.

Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é...


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Bloquinho de anotações - parte final

Chegamos ao fim da série de anotações sobre o 7° Congresso de Jornalismo Investigativo, realizado entre os dias 12 e 14 em São Paulo. Para os quem têm acompanhado a cobertura aqui no blog, o meu muito obrigado.
Abaixo, você confere as últimas três palestras em que estive presente:

Jornalistas e fontes - limites éticos e legais, por Maria Cristina Fernandes e Marcelo Beraba (moderador)


  • "Sinto vergonha como jornalista na cassação de Demóstenes" (Maria Cristina Fernandes). Quantas pautas não perdemos nesse relatório? "Nós falhamos como repórteres. Só nos demos conta quando recebemos o grampo na mão".
  • Brasil é um dos países que menos lê jornal. Deficiências na educação. "Jornais ainda são leitura de classe média. Será que os problemas não estão nas pautas dos jornais?"
  • "Novas mídias estão dando conta dos interesses privados?"
  • Ao não envolver o cidadão brasileiro, cada vez mais as pessoas se afastam da política.
  • Segundo pesquisa da Vox Populi, parcela significativa da população brasileira não acha nada demais dar propina para outros. 
  • Pouco se fala da relação entre o mercado imobiliário e campanhas  municipais.
  • "Jornalista que aceita informação de bandido é porque quer pegar algo maior".
  • "Ética do jornalista é a mesma do gandula: não pode ajeitar a bola para o jogador do nosso time".
  • "Cobertura dos jornais tem Brasília demais e Brasil de menos". 
  • "Ninguém é nossa fonte". Fontes só te contam as coisas  porque elas também têm seus próprios interesses.
  • Onde vamos buscar nossas pautas? "Estamos buscando pauta entre nós mesmos. Jornalistas não vão mais para as ruas".
  • "Jornalistas importantes do impeachment do Collor estão em assessorias, trabalhando em administração de crises".

Grande reportagem em TV, por Roberto Cabrini e Thiago Herdy (moderador)


  • Para saber se uma reportagem é válida, devemos nos perguntar se o mundo vai melhorar com ela.
  • O que é uma grande reportagem em TV? Descobrir o ângulo não mostrado. O poder do texto e as palavras certas para cada situação. Exercer todo dia nossa própria humildade, autocrítica.
  • "A melhor reportagem tem que ser sempre a próxima e temos que estar preparados para ela".
  • "SBT tem o DNA do entretenimento, não do jornalismo".
  • Conexão Repórter: programa de Roberto Cabrini no SBT; no ar há dois anos; programa servindo à sociedade; dar voz a quem não tem; equipe pequena, cerca de 15 pessoas; programa tem que ter uma reportagem por semana: arejar o programa com perfis, adequar-se às necessidades de uma emissora comercial; equilibrar a audiência para o programa permanecer no ar.
  • "Sempre houve um complô do silêncio. Nunca houve punição".
  • "Não há  justificativa para uma matéria superficial ser exibida".
  • Fontes não procuram pessoas prepotentes. Fontes têm interesse e você precisa saber identificá-lo.
  • "Câmera escondida jamais pode ser usada para invadir a privacidade das pessoas". 
  • Jornalista tem a obrigação de estar sempre acessível as pessoas.
  • As grandes matérias começam com pessoas comuns.
  • Jornalista não é justiceiro, policial, nem advogado. Repórter não substitui a lei, a justiça. 
  • O jornalista tem que perguntar o que a sociedade gostaria de perguntar. Mas tem que respeitar o direito do outro na resposta.
  • Desafio do jornalista: dar espaço para quem pensa diferente e teve uma formação sócio-cultural distinta.
  • "Ninguém ameaça se você não estiver diante de uma grande reportagem".
  • "Emoção é um divisor de águas da sua própria consciência. Ela pode ser prejudicial quando altera a precisão das informações".

Cobertura de megaeventos esportivos, por Dorrit Harazim, Carina Almeida e Marcelo Moreira (moderador)











  • Brasil é o quarto país a ter em sequência uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas. Outro exemplos: Alemanha (72 e 74); México (68 e 70); EUA (94 e 96).
  • Em Moscou (1980): 5.100 atletas; 5.000 jornalistas (1/2 rádio e tv e 1/2 impresso)
  • Em Sydney (2000): 16.500 atletas; 16.000 jornalistas (1/3 impresso e 2/3 rádio, tv e digital)
  • Em Londres (2012): 10.500 atletas; 21.000 jornalistas (6.000 impresso)
  • Números revelam que há poucos atletas para muitos jornalistas. É necessário reinventar uma maneira de falar com e sobre o atleta.
  • Um jornalista precisa de duas credenciais para assistir às principais provas. Corre o risco de nem conseguir assistir ao vivo a prova.
  • Ficar só no centro de imprensa não é a mesma coisa, não substitui a mesma emoção do presencial.
  • Que diferença o jornalista pode fazer nesse tipo de cobertura? O jornalista deve chegar já preparado, ter capacidade de organizar informações, talento narrativo e sorte.
  • Diferença dos atletas ao longo dos anos: João do Pulo em Moscou era campeão mundial, mas estava totalmente desamparado na perda da medalha. Hoje uma atleta americana tem 22 técnicos, cientistas que trabalham em sua equipe. Sem falar nos patrocinadores e nos assessores de comunicação.
  • Olimpíadas são uma vitrine para marcas esportivas e novas tecnologias.
  • Hoje as Olimpíadas estão mais niveladas: um atleta da África dispõe do mesmo equipamento que outro. Impossível fazer diferença só pela tecnologia.
  • Organização desses megaeventos tem que oferecer as melhores condições de trabalho para os jornalistas. Cabe, então, aos profissionais fazer a diferença.
  • Megaeventos esportivos são importantes para reposicionar "marcas" de países e cidades. Neles estão presentes a nata do esporte, da organização e do marketing esportivo.
  • "Nenhum país tem um bom desempenho em Olimpíadas sem incentivar o esporte desde a base".
  • Reflexão sobre o quadro de medalhas: cinco ouros em uma mesma modalidade valem mais do que cinco medalhas em esportes diferentes?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bloquinho de anotações - parte 2

Dando prosseguimento ao post publicado na terça, agora é a vez da segunda parte das minhas anotações sobre o 7° Congresso de Jornalismo Investigativo, realizado entre os dias 12 e 14 de julho na cidade de São Paulo. Ano que vem, o evento mudará de local e será na PUC-Rio.

Jornalismo cidadão: proteste já, por Marcelo Tas, Maxi García Solla e Gastón Turiel

  • "Proteste já" é o maior quadro em duração e um dos que mais faz sucesso dentro do programa CQC, da Band. O quadro surgiu em 2004.
  • No quadro, a equipe é composta por 4 jornalistas, dentre eles dois argentinos: Maxi (diretor de redação) e Gastón (produtor). 
  • Uma denúncia para ser apresentada no quadro tem que ficar "boa na TV'. O principal critério para escolher uma pauta é que ela proporcione boas imagens.
  • A edição final na matéria é fundamental, pois é ela "que faz o repórter falar bem". 
  • O vídeo de uma recente reportagem foi mostrado aos presentes. Tratava-se de uma denúncia de irregularidades no  matadouro municipal de  Conceição do Caeté (BA).
  • Denúncias: o carro que transporta a carne é aberto, sem qualquer refrigeração; os animais são mortos a pauladas; um carro de coleta de lixo passeia livremente pelo lugar onde os animais pastam; sangue dos animais escorre pela terra.
  • Moradores da região são "obrigados" a consumir aquela carne, já que não há outra opção. Não é raro ver alguém contrair uma doença por conta da péssima qualidade da carne ingerida. Um dos moradores chegou a ficar doente e um parasita se instalou em seu cérebro.
  • Geralmente, a equipe de produção só volta ao local denunciado se eles estiverem sem matéria. "Uma matéria nova gera mais interesse, maior audiência que uma antiga". De vez em quando, eles se planejam uma matéria especial, com retorno a 3 ou 4 lugares, tudo no mesmo programa.
  • "Quando o CQC não tinha patrocinador, a pressão era muito grande sobre um programa que estava ainda nascendo".
  • O respaldo dos patrocinadores faz com que Tas seja mais firme quando recebe uma ameaça.
  • "O humor nasce da precariedade humana. O CQC olha para os fatos com a lente do humor. Não é um programa jornalístico".
  • Tas se preocupa com os jovens que usam o CQC como fonte primária de informação.
  • Antes de cada programa, Tas negocia seus limites junto com a emissora. 
  • "Nenhum jornalista dentro de veículo é independente. Cada veículo tem sua linha editorial".
Copa 2014: organização e infraestrutura, por Juca Kfouri, Walter de Mattos Jr e Marcelo Beraba (moderador)









  • Em recente perfil publicado na revista Piauí, Juca e Walter são citados por Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, como dois de seus principais inimigos.
  • "Esporte passou de aspecto apaixonante e virou negócio. Eventos que usam como pretexto o esporte acabam custando milhões".
  • Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, as autoridades garantiram que essa seria "a Copa da iniciativa privada". Hoje, na verdade, a maior parte é feita com financiamento federal. "Quando o dinheiro não é público, é investimento do BNDES".
  • Alguns números da Copa: 101 projetos; 41 ainda no papel; 5 concluídos e 55 em andamento.
  • As decisões tomadas acerca da Copa no Brasil foram tomadas quase unicamente pelo comitê organizador local, que é "uma estrutura familiar do Ricardo Teixeira".
  • Analisando a capacidade de público das novas arenas e conhecendo-se um pouco de futebol, algumas distorções podem ser percebidas. Manaus, que tem seu melhor time disputando a série D do Brasileirão e não tem tradição no futebol, terá um estádio para 46 mil pessoas. O mesmo acontece em Brasília (70 mil pessoas) e Cuiabá (43 mil pessoas). Esses estádios, no futuro, se transformarão em verdadeiros elefantes brancos. 
  • "Para o mundo, a capital da Amazônia, é Manaus." Daí, uma das necessidades de se construir um estádio na cidade, mesmo sem time de futebol expressivo na região.
  • Há casos de exemplos positivos também: o Beira-Rio, estádio do Inter, está sendo reformado dentro de uma ótica privada. O clube é um modelo de gestão e apresenta o maior número de sócios do país.
  • Um evento do porte de uma Copa do Mundo funciona como uma grande campanha de marketing por décadas. Contudo, "nossa infraestrutura de turismo é muito pobre".
  • Casos de sucesso em que as cidades/países se aproveitaram dos eventos esportivos para se modernizarem: Pequim, Barcelona, Alemanha.
  • Casos negativos: Montreal e  Atenas (10% da dívida atual do país foi gerada pelas Olimpíadas).
  • Mobilização: a sociedade precisa ser mobilizada para cobrir e participar dos eventos.
  •  "Esporte no Brasil é mais atrasado que a política. Na política, ainda que pouca, há punição e transparência. No esporte, você não vê isso ".
  • "Estrutura do esporte no Brasil e reacionária, corrupta, corrompida e corruptora".
  • "Jornal Nacional chamou de comissão os casos de corrupção envolvendo João Havelange e Ricardo Teixeira". 
  • Jornal "O Lance!" não se aproveita dos eventos esportivos. Não tem nenhum anúncio das maiores fornecedoras de material esportivo, como a Nike, patrocinadora da Seleção Brasileira. Justamente por denunciar constantemente os esquemas de corrupção envolvendo o esporte.
  • "Não podemos fazer a Copa do Mundo da Alemanha, da Ásia, no Brasil".
  • "Ideal no Brasil para em evento de um mês são os investimentos em rodovias, aeroportos, etc. O estádio não precisa ser o melhor".
  • "Com essa gente que está aí, sou contra a Copa do Mundo no Brasil" (Juca Kfouri)
  • "Copa é um grande anúncio de um mês do país, mas correndo o risco de fazer um péssimo anúncio".
  • Até hoje, José Maria Marin, atual presidente da CBF, paga R$120 mil por mês para a assessoria do Ricardo Teixeira, ex-presidente da mesma entidade e envolvido em esquemas de corrupção.
  • "FIFA é parceira, cúmplice disso tudo. Blatter é da mesma cria".
  • Segundo Aldo Rebelo, atual ministro dos esportes, os estádios após a Copa servirão de "arenas multiuso". "Alguém imagina a Madonna indo cantar em Manaus? Nem a Ivete Sangalo vai a alguns lugares..."
  • Ministério dos esportes não tem nenhum projeto para a Copa no Brasil. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Bloquinho de anotações- parte 1



Esse ano tive, mais uma vez, a oportunidade de participar do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. O evento, que já está em sua sétima edição, foi realizado entre os dias 12 e 14 de julho na Universidade Anhembi Morumbi- Campus Vila Olímpia, São Paulo.

Nessa postagem, compartilho com vocês a primeira parte das minhas anotações durante o congresso. O objetivo não é fazer uma cobertura oficial do evento, mas permitir apenas o compartilhamento de informações e dicas de jornalismo. Como se fosse um bloquinho de anotações. 

O bê-á-bá do Excel, por José Roberto de Toledo


  • Toda fórmula no Excel começa por um sinal de igual (=). O sinal deve vir colado ao comando seguinte. Exemplo: =média
  • Fórmula sobre o cálculo de variação porcentual de uma coisa sobre a outra: =N/n-1. Onde N é o número mais novo; n o número mais velho e a barra (/) corresponde ao sinal de divisão.
  • Mediana: ponto médio de intervalo entre dados.
  • Quando a média de algo é maior que a mediana significa que há pessoas/ elementos fora da curva, puxando a média para cima.
  • Estatística dedutiva: quando se analisam dados de todo ou universo. Exemplo: Censo.
  • Estatística inferencial: baseada na teoria das probabilidades. Induz resultados para o universo a partir de uma amostra limitada. Exemplos: pesquisas de opinião.
  • Estatística descritiva: medidas de tendência central. Objetivo: encontrar um número único que resuma e represente o intervalo de dois valores. Exemplos: média, mediana e moda.
  • Média: valor mais representativo de toda uma massa de dados. Facilmente influenciada por valores extremos (pontos fora da curva).
  • Mediana: Muito usada pelo locutor de rádio. Por exemplo: A bola está no campo de ataque do time A. Não é afetada por valores extremos. 
  • Moda: só é um bom indicador da tendência central se houver apenas um valor dominante.
  • Medidas de dispersão: tamanho da diferença em relação à média.
  • Amplitude da mostra: maior valor menos o menor valor.
  • Os números, bem torturados, revelam qualquer coisa. Atenção para a manipulação.
  • Site interessante para obter dados sobre a população brasileira e, de quebra, treinar mexer em planilhas: www.sidra.ibge.gov.br
Jornalismo narrativo, por Sérgio Vilas-Boas

  • Praticar jornalismo narrativo (ou literário) é diferente de estudá-lo.
  • Ficção não é sinônimo de mentira, nem tem a ver com técnica. É uma questão de caráter.
  • Narrativa é todo e qualquer discurso capaz de evocar um mundo concebido como real, material e mental situado em um espaço determinado. 
  • Story é o arco de movimento através do tempo e do espaço que dá unidade às ações e um sentido.
  • Jornalismo narrativo: reportagem de imersão sustentada por um sólido trabalho de campo e escrita apurada. Indicado para matérias especiais (fora da agenda), mas também no dia-a-dia, em alguns casos. Sua finalidade é transmitir a vivacidade das experiências das pessoas em relação ao assunto central, incluindo as experiências do próprio jornalista, quando cabíveis.
  • Uma pauta deve ser construída com base em nomes e pessoas. Não é possível fazer jornalismo narrativo sem personagens. O próprio autor é, às vezes, personagem. 
  • Personagens não são apenas complementos ("aspas"). Eles são a razão de ser da reportagem.
  • Uma narrativa não é um relatório, um dossiê. É uma construção de dados.
  • No jornalismo narrativo, o trabalho de campo é decisivo e não a beleza do texto. 
  • O jornalista deve conquistar a confiança do outro, do entrevistado. Converse mais, entreviste menos. O jornalista também deve estar preparado para responder perguntas e não apenas fazê-las.
  • "Não tem como saber como é ser gari vestindo-se assim. O problema do gari só ele sabe".
  • Choques culturais devem ser evitados. Não batemos boca com as pessoas por mais estranho que a resposta possa aparecer.
  • Não dá para fazer um perfil sem entrevistar o principal personagem. Só o Gay Talese conseguiu isso. Ninguém conhece outro exemplo.
  • O autor é quem seleciona o tema, o protagonista e os coadjuvantes. Sua vivência com o tema/assunto escolhido determina o "volume" da sua participação (declarada) na história. O autor sempre é, no mínimo, um coadjuvante.
  • Os relacionamentos são entre iguais. Você não é superior nem inferior a ninguém.
  • "Achar que alguém é o máximo é um preconceito. Ninguém é o máximo".
  • Raciocine narrativamente o tempo todo. Não existe a hora de escrever. A hora de escrever é a hora em que você teve a ideia.
  • Formule perguntas curtas, claras e respondíveis. Não fazer pergunta "roda viva".
  • Perguntas não devem conter juízo de valor em hipótese alguma. 
  • Digite/ processe as pesquisas bibliográficas na hora. Elas podem não estar disponíveis depois.
  • Temperamento de quem faz jornalismo literário: pessoa com visão crítica da mídia que esteja sempre pesquisando e estudando.
  • O protagonista do jornalismo literário é sempre humano.
Jornalismo popular: serviço, crime e brinde, por Paulo Oliveira e Rogério Maurício

  • O Dia: fundado em 1951 por Ademar de Barros, jornal popular mais antigo. Fazer do jornal um palanque.
  • Notícias Populares em SP: proposta política diferente. Jornal popular que não falasse de política.
  • "Jornais populares contribuíram para o desenvolvimento da imprensa. Todo jornal clássico hoje se popularizou".
  • Década de 80: mudança n'O Dia, que é vendido e se qualifica. O Globo lança O Extra para impelir crescimento d'O Dia.>
  • Dos 20 jornais mais vendidos de acordo com o IVC (Instituto Verificador de Circulação), 11 são populares.
  • Jornais mais vendidos: Supernotícia (MG) com  mais de 313.000 exemplares.
  • Venda avulsa (nas bancas)  dos principais jornais tem diminuído.
  • "Jornais clássicos são muito subsidiados".
  • Nas assinaturas, os jornais clássicos se impõe. A maior parte dos jornais populares não tem assinatura pois o custo logístico (transporte, etc) não compensaria o preço. A distribuição acabaria aumentando o preço do jornal.
  • "Jornal que vende em banca tem que se mostrar útil ao leitor todo dia".
  • Em cada estado, os jornais populares têm um DNA diferente.
  • "Jornal popular é que nem agricultura. Joga a semente, dá adubo. Só colhe os frutos 3 anos depois".
  • Belo Horizonte era a penúltima capital em leitura de jornais. Hoje é a segunda, atrás de Porto Alegre.
  • Super notícia ficou 3 anos só pegando e reproduzindo matérias de outros veículos. Hoje, são cerca de 150 jornalistas na empresa em 3 redações. 
  • Super notícia começo a despontar em 2004.
  • Super notícia ainda dá prejuízo. O jornal custa R$0,25. O retorno é em publicidade.
  • Venda de jornais no ano passado cresceu 3%. Venda de jornais populares cresceu 10%.
  • Segunda e quinta são os dias que mais vendem jornais por conta da cobertura dos jogos de futebol do dia anterior.
  • Classe C é dominante em Belo Horizonte. 72% dessas pessoas leem jornal.
  • Super notícia é o mais vendido nas classes B, C e D. 
  • Super notícia começou com promoções: de carrinhos, de eletrodomésticos... Não tem seção de política e economia.
  • "Pobre adora ganhar coisa. E rico também".
  • "O problema não é só de preço, é de público".
  • Antigamente, as pessoas mais pobres tinham vergonha de ir nas bancas. Agora, o Super notícia vende em padaria, sacolão, etc.
  • "Hoje, a promoção não incrementa tanto as vendas do Super. Pessoas criaram o hábito".
  • "Número de vendas de um jornal não diz respeito a qualidade do trabalho do jornalista".
  • "Jornal popular é um tradutor. Tradução permanente para uma linguagem mais simples, em menos linhas".

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fica, Loco Abreu!


Porque
. na hora mais importante, quem decidiu foi você.
. a camisa mais vendida no Botafogo não é a 7, nem a 10. É a 13.
. você fez de General Severiano nosso hospício.
. na Copa do Mundo fomos todos Celestes. E na Copa América também.
. o seu jeito de bater pênalti ficou eternizado e até ganhou nome ("à la Loco Abreu).
. não aguento mais as respostas evasivas de jogador de futebol. Você é sincero e inteligente quando fala.
. seu nome é reconhecido internacionalmente.
. um clube pode sobreviver sem títulos, mas não sem ídolos.
. contra os grandes do Rio, você tem sempre uma comemoração especial.
. você é ídolo. O maior da década (globoesporte.com)
. você é supersticioso como nós.
. o Botafogo está na sua "segunda pele" (camisa de homenagem).


. em nenhum lugar você vai ser ídolo como foi aqui.
. levantou a bola na área, a torcida já se agita na arquibancada.
. você estreou na data do meu aniversário quando fomos humilhados pelo Vasco. E no mesmo campeonato garantiu nossa vitória contra o mesmo adversário na final.
. "você é um loco e nada vai te abalar".
. você ignorou todo o histórico recente contra o Flamengo em decisões e fez história cobrando um pênalti.
. não satisfeito, pensou: Por que não repetir na Copa do Mundo?
. você é teimoso e bateu com cavadinhas dois pênaltis numa mesma partida, tendo errado o primeiro.
. o poster, a figurinha autografada, as camisas e o boneco que tenho sentirão sua falta.
. você também  é humano: perde pênalti, chuta torto e dá de canela.
. "Uh, é o Loco!"
. mesmo depois do Maracanazo, a bandeira celeste ainda tremula nos estádios brasileiros.
. quando todos riram e diziam que você estava velho, você respondia com gols.


. nos últimos dois anos, você foi um dos principais responsáveis pelos sorrisos dos botafoguenses.
. você está eternizado no muro da sede.
. você é um craque no marketing.
. se o problema é o esquema de jogo, muda-se o esquema. Se perder três jogos e  o técnico sair e aí, como fica?
. você é artilheiro, líder e carismático.
. sua estrela brilha mais quando acompanhada da solitária.
. no fundo, todo torcedor queria ter você jogando em seu time.
. esse não é um pedido só meu, mas de vários torcedores botafoguenses.

Fica, Loco Abreu!




sábado, 9 de junho de 2012

Para gostar de ler


Para muitos alunos, como é o meu caso, as férias estão chegando. Para outros, contudo, ainda há um longo caminho a percorrer. Seja qual for o seu caso, contudo, sempre é bom dar um tempo nos estudos e fazer algo prazeroso. Para quem gosta de ler, elaborei mais uma lista com sugestões de livros. A maioria ainda não tive a oportunidade de ler, mas foram muito bem recomendados e estão na “fila”.

Obrigado a quem nos enviou sugestões através das redes sociais (@letrasrelicario) e https://www.facebook.com/pages/Blog-Letras-e-Relic%C3%A1rio/310507488982471


  . Os imperfeccionistas (Tom Rachman): Um dos livros mais vendidos do momento conta os bastidores da redação de um jornal com sede em Roma. Para todos os leitores, mesmo aqueles que não trabalham com comunicação.

. Nunca houve um homem como Heleno (Marcos Eduardo Neves): O filme estrelado por Rodrigo Santoro levou a reedição do livro que conta a história (e a decadência) de um dos primeiros jogadores-celebridades. Difícil não se emocionar.

.  A fuga do campo 14 (Blaine Harde): Não, a história não se passa na Alemanha , mas na Coreia do Norte. Por que não olhar também para o Oriente?


. Páginas esquecidas (Machado de Assis): Tudo que Machado de Assis escreveu vale ouro? Leia o livro e veja se existe motivo para algumas páginas terem sido “esquecidas”.

. História da Literatura Brasileira (Carlos Nejar): Um livro enorme e para consulta, como se fosse um dicionário. Só que ao invés de buscar o significado das palavras, o leitor conhece mais sobre (quase) todos os grandes escritores brasileiros.

. Vidas Secas (Graciliano Ramos): Em meio a seca e aridez do sertão, um homem insiste em sobreviver. Por que não conhecê-lo?

. Chatô, o rei do Brasil (Fernando Morais): Se o Brasil fosse uma monarquia, Chatô teria sido um dos reis. Nessa biografia sobre o multifuncional Assis Chateaubriand você entenderá porque é impossível falar de qualquer veículo de comunicação no país e não mencionar Chatô.


. Aconteceu na Manchete (vários autores): A história de uma das principais editoras do país contadas por quem respirou esses ares e apareceu nessas páginas: jornalistas, convidados e celebridades.

. Minha razão de viver- memórias de um repórter (Samuel Wainer): Autobiografia de um dos inimigos pessoais de Assis Chateaubriand e igualmente importante para a história da imprensa em nosso país.

. A alma encantadora das ruas (João do Rio): Reunião de crônicas que retratam e documentam as transformações na cidade do Rio de Janeiro na década de 10.

. A sangue frio (Truman Capote): Uma grande reportagem investigativa em forma de livro e verdadeira aula de como apurar uma notícia e se dedicar a ela.


. O livro das listas (Amy Wallace e David Wallachinsky): Informações curiosas e inúteis sobre tudo, absolutamente tudo que você possa imaginar. Algumas personalidades brasileiras são lembradas na adaptação.

. Guerra dos Tronos- as crônicas de gelo e fogo (George R. R. Martin): No primeiro volume da série, uma história de lorde e damas, soldados e mercenários com presságios malignos. Há quem veja semelhanças entre o escritor e Tolkien

. Equinócio (Lu Piras): Uma estudante de medicina  é surpreendida com a visita inusitada de um anjo  e o que ele tem a dizer.  Romance de estreia da autora.